27 jun 2017

Hoje temos uma convidada especial para falar sobre a introdução do bebê ao diálogo: Juliana Trentini.  A Ju é fonoaudióloga e mãe de um menino de 5 anos e uma menina de dois, vive em Chicago e encontrou no Canal Fala Fono uma oportunidade de juntar suas duas paixões, a maternidade e a fonoaudiologia. Sua missão é ajudar pais a entender e turbinar o desenvolvimento dos filhos através da melhora na comunicação, tudo isso com uma pitada de bom humor e descontração porque ninguém é de ferro.

Você sabia que a amamentação introduz o bebê ao diálogo? Quer saber como?

O diálogo é uma conversa ritmada entre duas pessoas onde cada um tem uma vez e uma voz. O diálogo é a base da comunicação humana.

Para ilustrar meu ponto, vou relatar uma cena corriqueira entre mães e bebês recém-nascidos:

A mãe segura seu bebê nos braços e começa a amamentá-lo, e como muitos recém-nascidos esse bebê relaxa larga o peito e começa a adormecer. A mãe então, com muito cuidado, acaricia a cabecinha de seu bebezinho e conversa com ele, na tentativa de despertá-lo para que ele retome a mamada. Ele desperta e retoma a mamada e esse revezamento se repete muitas vezes. O bebê pausa a mamada – a mãe interage com ele- o bebê retoma, e assim por diante.

Cada um tem uma vez e uma ação nesse revezamento, esse é o início de uma relação dialógica.

Ao longo do tempo cenas como essa ajudam a posicionar o bebê como um comunicador

São experiências que oferecem ao bebê a percepção de que ele tem um impacto no mundo. Até então esse bebê vivia dentro do útero e sua capacidade de interagir era extremamente reduzida. Agora que ele nasceu e está aqui fora ele percebe que quando ele para de mamar a mãe vai lá e toma uma atitude.

Isso ajuda o bebê a construir duas crenças:

-A crença de que ele pode se comunicar (ainda que não verbalmente) e;

-A crença de que comunicação é poder.

Essas crenças vão ser fundamentais para esse bebê, no futuro, vir a falar.

Outra forma de comunicação muito importante dos bebês é o choro.

O choro gera nos pais uma necessidade, uma urgência de se fazer algo a respeito para aliviar o desconforto do bebê e consequentemente parar o choro. Quando o bebê chora e os pais vêm ao seu encontro para atender a sua demanda, isso posiciona o bebê como um comunicador também. Ele tem a sensação de que foi atendido ao chorar.

Se os pais passam a ignorar esse choro e deixam o bebê chorar por longos períodos repetidamente, isso enfraquece o posicionamento de comunicador do bebê e pode ser prejudicial. O bebê tem a sensação de que o choro não está comunicando.

 

Eu não quero dizer que os bebês devem ser atendidos imediatamente sempre que chorarem.

É bom que exista um intervalo entre o momento que o bebê chora e o momento que os pais aparecem para atendê-lo. Isso por que o bebê começa a perceber que ele pode ficar um tempinho esperando porque os seus pais vão vir, eles sempre vêm. Ele não precisa se desesperar. Mas esse período não deve ser prolongado! Alguns sugerem deixar o bebê chorando como técnica para ensiná-lo a dormir.

Eventualmente o bebê que é deixado chorando vai parar de chorar justamente por desacreditar que seu choro vá gerar essa demanda nos pais. Ele vai ter sensações de que não é ouvido por não ser atendido. Isso como mencionei pode enfraquecer o posicionamento dele. A gente quer posicionar o bebê como alguém que tem importância e que tem uma voz.

Sou fonoaudióloga e mãe de dois. A minha missão é ajudar pais a entender e turbinar o desenvolvimento dos filhos através da melhora na comunicação. Se você achou esse texto interessante e gostaria de ouvir sobre temas assim como esse, conheça o canal Fala Fono. e não esqueça de se inscrever aqui!

escrito por Juliana Trentini
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04 jun 2015
Foto: Amanda Costa

Foto: Amanda Costa

Hoje vou falar sobre um assunto delicado: amamentação.

Lembrando vocês que além de ser mãe e já ter vivido isso, sou doula pós parto (com conhecimentos básicos sobre a amamentação) e não sou médica nem especialista no assunto, ok?

Eu sempre escutava falar que amamentar o seu filho era um momento mágico. Era um momento de cumplicidade entre mãe e filho incrível.

Mas também lembro de muita mulher falando que o bico quase caiu, que amamentava mordendo uma fralda de tanta dor que sentia, e claro, as “fora da curva”, que não sentiam nada.

Eu gosto de ser bem realista com as coisas. Quem acompanha os meus post sabe disso.

Então, amiga, amamentar não é fácil. Pode ter certeza que no começo você vai se perguntar porque a sua experiência não é igual às das fotos que você vê por ai.

Cada pessoa tem uma experiência diferente. Mas de qualquer maneira, mesmo no começo sendo difícil, depois que engata, é fantástico. Só precisa de paciência e determinação!

Algumas mulheres perguntam como elas podem preparar o seio para a amamentação. Estão preparadas para ler? Então senta….NÃO SE FAZ NADA COM O PEITO. Nem esfregar esponja natural, nem passar limão, nem dada. Deixa seu peito em paz.

Quando o bebê nasce, a maioria das mulheres reclamam da dor e das fissuras no seio.

Um dos motivos de tanta dor, pode ser a pega incorreta. O bebê mama a auréola, e não o bico. Quanto mais ele envolver com a boca a auréola, melhor.

A pega certa, como dizem, o bebê fica com a boca como se fosse um “peixinho” e a língua encosta no lábio inferior e fica curvada.

Mesmo assim, com certeza vai doer um pouco o tanto de estímulo que o seu seio está recebendo. Mas não tanto.

E como faz para cuidar do seio quando começa a doer? Dica: Tome sol. Isso mesmo. Coloque os peitos para fora e vá para a janela, quintal…o que quiser.

Aqui em casa foi sem pudor mesmo. O negócio doía tanto, que eu nem ligava que o porteiro poderia estar vendo os meus peitos pela câmera de segurança. Eu falava para o meu marido: quem nunca viu, não sabe o que é! Quem já viu, não se assusta mais!

Posso falar? Melhor coisa do mundo!

Além disso, usei muito pads de gel. Eles substituem o protetor de seio, a pomada de lanolina (que sinceramente, faz uma meleca) e podem ir a geladeira. Vocês não têm ideia do prazer que é colocar aquele pad geladinho no peito depois de amamentar. É fantástico!

Outra coisa que ajuda também, é o uso da concha. A concha deixa o seio “respirar”, sem encostar em nada. Isso ajuda muito na cicatrização. Atenção: Não durma com a concha, ok? Pode te machucar seriamente! Ah, e TEM que esterilizar sempre, ok?

Como falei antes, essa dor passa. É uma questão de tempo. E de cicatrização.

Algumas mulheres sofrem também com a produção de leite.

Tem mulher que produz muito, e o bebê não da conta de mamar.

Isso pode deixar a mama dura, com o que chamamos de “empedramento” do leite.

O leite muda de estado. Fica parecido com um gel, e não permite que o leite saia. Para ajudar, recomenda-se tentar tirar o leite (ordenha manual ou com a bombinha elétrica) e usar compressas de água quente, para ajudar o leite e sair.

Quando o leite sair, faça compressas de água fria, para o leite parar.

Em casos que a mulher produz pouco leite,  o ideal é estimular com compressas quentes e com a bombinha.

Quanto mais estímulo, mais leite o corpo produz.

Além disso, muito descanso, alimentação e líquidos.

Uma coisa importante que preciso falar: Não se empresta bomba de leite. O leite tem propriedades igual ao do sangue, e se a pessoa tiver alguma doença transmissível por sangue, pode passar para o seu bebê.

Recomenda-se esterilizar bem (não adianta passar na água quente ou no esterilizador de micro ondas) com técnicas de autoclave antes de usar.

Isso não descarta o fato de você emprestar para uma amiga muito querida, ou alguém da família. Acho importante vocês saberem isso, para não pegar a bomba de qualquer um.

Mas…como vou saber se estou produzindo pouco leite?

Se o recém nascido ganhar menos que 20g por dia ou fizer menos que 6 a 8 xixis por dia, significa que ele que não está ganhando peso suficiente e com isso, o pediatra vai sugerir alguma coisa para aumentar seu leite ou iniciar com o complemento (fórmulas).

Sem crises se isso acontecer. Pense no seu bebê. O importante é ele estar saudável.

Não é porque ele vai começar com o complemento que você não vai poder mais ter o seu momento amamentar. Você pode continuar sim curtindo o seu momento. E inclusive, outras pessoas queridas podem participar, como o seu marido!

Espero de coração ter passado alguma informação útil para vocês.

Por experiência própria, vejo que nos faltam informações. E elas são muito importantes, principalmente para as famílias que esperam o primeiro filho.

Conte comigo se tiver alguma dúvida!

Carol Baldin assinatura

escrito por Carol Baldin
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