13 nov 2015

A arte de estimular um filho

como estimular bebeHoje resolvi falar de algo incrível, fabuloso, que todas as marcas de brinquedos encantadores e cheio de barulhinhos correm atrás: o ingrediente secreto e mais poderoso de todos para estimulação infantil!

E para explicar Este ingrediente, primeiro vamos sincronizar nossas ideias. Jogarei um temperinho básico para tornar você um neurocientista! Poderá entender um pouquinho mais sobre o desenvolvimento do cérebro do seu filho e decidir lá no final deste post se vai ou não usar o poder Deste ingrediente.

Vamos lá!
O primeiro ponto é perceber que todo o desenvolvimento que cabe na nossa cabeça (emocional, intelectual, da atenção, etc.) dependem pelo menos de dois elementos fundamentais: a estrutura biológica que veio de fábrica e as estimulações ambientais recebidas.
Nesta leitura neurocientífica o cérebro é a vedete da estrutura biológica. Esta estrutura tenderá a vir com alguns componentes embutidos (que vão desde reflexos inatos, como o de mamar, até caraterísticas de personalidade, que você nem acredita que aquela coisa tão pequeniniha já tem).
Mas a expressão, desenvolvimento, modulação destes componentes necessitam da estimulação para acontecer!
E vamos entender estimulação como toda e qualquer coisa que chega naquela estrutura cerebral.

Ótimo!
Agora vamos para o segundo ponto. Se falamos de um cérebro fresquinho, que ainda não teve tantos estímulos, ele ainda não sabe como lidar com várias situações. Portanto, o que chegar, fica! Isso mesmo, toda estimulação que chegar tende a gerar uma nova conexão lá dentro.
Sabe aquela coisa de que eles são esponjas? Pois bem, são mesmo e precisam disso. É como se ainda não tivessem filtros e o que entra, tende a se conectar com o que der e puder para se construir repertórios para lidar com a vida.
Então, se ainda não há filtros e o que entra fica, o cérebro de uma criança tem muito mais conexões que de um adulto! Ah? Como assim?

E então chegamos ao terceiro ponto: o que acontece para perdermos estas conexões?
Simplesmente uma economia de recursos. Conforme crescemos, fortalecemos as conexões que foram mais utilizadas e descartamos aquelas que caíram em desuso.
Para entender isso vamos colocar nós e os nossos filhos na mesma situação: pegar o biscoito no alto do armário.
Você: coloca o banco e sobe!
Filho: a 1a. vez te pede; na 2a., se você demorar um pouquinho já começa a olhar para os lados e vê como pode se virar; na 3a., pega o banco e sobe meio cambaleando enquanto seu coração dispara e os anjos protegem; da 4a. em diante é quase um mestre da escalada e adapta isso para algumas situações!
Mesmo da quarta vez, seu filho, se pequeno, ainda gasta muito mais energia, cerebralmente falando, que você. Ele ainda tem que parar para pensar na organização do próprio corpo, se ambientar com a distância braço-pote de biscoito, recalcular as rotas e etc.
E você nem pensa, simplesmente faz.
Mas conforme nossos filhos vivenciam, experimentam, conseguem verificar o que é mais eficiente e fortalecem estas conexões cerebrais. Assim, com o tempo chegarão mais direto ao ponto como nós.
Enquanto isso, as outras conexões que foram experimentadas, mas não frequentemente acionadas, se enfraquecem e caem em desuso.
E o que não se usa, pode ser descartado. E por esta poda neural abrimos constantes espaços para novas conexões!
E este fantástico mundo cerebral é tão incrível e organizado que ele tem umas faxinas enormes pré programadas que abrem grandes janelas de oportunidades! Elas abrem espaço para novas conexões cerebrais acontecerem, partindo das bases que se solidificaram, para a ampliação destas, gerando potencial para experiências cada vez mais complexas…

Isto é papo para uns mil posts, mas só para dar uma cutucadinha, uma das janelas se dá em torno dos 5/6 anos de idade e, por essas e por tantas outras razões, a pegada da primeira infância, que vai dos 0 aos 6 anos de idade, é tão determinante.

E aqui chegamos ao ponto principal: a revelação do ingrediente secreto da estimulação!
De maneira bem, bem geral, podemos chamar de psiquismo o produto da estrutura biológica *estimulação.
Neste descarte todo vão-se algumas lembranças de infância… Mas tem uns elementos que parecem se enraizar mais que outros e que são mais perenes e determinantes na construção do psiquismo. E esta raiz mais profunda são os afetos e emoções.
Em outras palavras o que eu quero te dizer é que O ingrediente secreto da estimulação é o AFETO, a EMOÇÃO que será impressa junto à estimulação.
Assim , os brinquedos incríveis e cheios de barulhinhos só são o que são por terem você sorrindo, modulando a voz cheia de cute cute e curtindo cada resposta incrível que seu filho dá!
Se é o super brinquedo, se é o super desenho animado, a super garrafa de água cheira de purpurina, a super coceguinha eu não sei. Mas sei que sem o seu olhar presente, sem ser sufocante, atento sem ser controlador, o estímulo em si será muito pouco!

E este olhar às vezes significa deixa-lo brincar sozinho, explorando à própria maneira, para consolidar as conexões.
O afeto aqui vai morar na atenção à distância, no cuidado e na confiança que surgem naquela situação. Além da conexão que o brincar desta situação fortalece, se fortalece a conexão afetiva relacionada ao amor, à confiança, à autonomia. E por aquele nosso conceito da poda, são estas conexões afetivas, tão basais, que carregaremos por mais tempo que marcarão as nossas formas de amar, de confiar, de ser autônomo quando a gente for gente vira gente grande!

E aqui vi um vídeo apaixonante, apesar de em inglês (https://youtu.be/zLp-edwiGUU), que fala disso tudo e ainda dá receitas infalíveis de estimulação no final!

Um forte abraço e até a próxima!

assinatura danielle

escrito por Danielle Rossini Dib
1 Comentário / Compartilhe:
Tags: , , ,

1 Comentário em: A arte de estimular um filho

  1. Ana EM 15/11/2015
    às 16:29
    Responder

    Muito bonito!! Parabéns Dani, você sempre dedicada e com muitos ensinamentos para ser transmitido! Bjus no coração. Fique c Deus amiga!

Deixe um comentário